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ESMEG

Escola Superior da Magistratura do Estado de Goiás

Desembargador Romeu Pires de Campos Barros

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Especialistas debatem efeitos do divórcio na vida familiar

Foi realizado ontem (22), na sede da Escola Superior de Magistratura do Estado de Goiás (Esmeg), a Roda de Conversa deste mês. Conduzida pelas advogadas Maria Thereza de Alencastro Veiga e pela psicóloga terapeuta Virginia Suassuna, a palestra teve como tema “Divórcio e Separações: Mudanças Marcantes na Evolução das Famílias” e abordou o assunto sob dois pontos de vista: o do Direito e o da Psicologia.

Para Maria Thereza, o avanço do direito de família é primordial em relação ao papel da mulher na sociedade. “Precisamos que o Poder Judiciário se debruce mais sobre essa questão, pois embora as leis em si tenham tido avanços, a sobrecarga que a mulher tem recebido é absurda e o direito não tem observado esse fenômeno”, diz ela, ressaltando que esse peso é maior no que diz respeito à parte financeira. “É estarrecedor que alguns magistrados decidam, às vezes, que o pai pague somente R$ 500 de pensão a seu filho quando ele tem um salário de R$ 5 mil”, exemplificou.

A advogada ainda disse que é necessário que o Direito avance ainda mais em questões como a violência contra as mulheres em todas as fases da vida – quando criança, adolescente, adulta e idosa. Em sua opinião, elas não estão satisfatoriamente assistidas pelas leis brasileiras. Por outro lado, ela reconhece que o alargamento do espaço da mulher na sociedade foi o responsável pela evolução do direito de família no Brasil, mas espera que a realidade mude, especialmente agora que o homem, cada vez mais, contribui com tarefas antes exclusivas das mulheres, principalmente no ambiente doméstico.

Alicerce

Em sua intervenção, a psicóloga Virginia Suassuna focou o relacionamento marido/mulher para identificar as causas que levam ao divórcio. Para ela, há um pilar que é a chave do casamento duradouro: a paixão, aquela que vem acompanhada do sexo entre o casal. “É preciso saber cultivar esse desejo”, afirma a terapeuta, que acredita que os valores éticos como amor, respeito, confiança, compreensão e companheirismo são como teto, parede e piso de uma casa. “Mas o alicerce mesmo, o que vai mantê-la de pé é a paixão, o desejo sexual”, diz.

Outras fontes de origem do divórcio, conforme apontou Suassuna, são fatores como a imaturidade psíquica da mulher, quando ela se permite, no casamento, regredir à relação simbiótica que tinha com a mãe quando criança – exigir do marido atenção e proteção 24 horas por dia. “Ela espera que o marido a trate como sua mãe a tratava quando ela era bebê de colo, espera que o esposo até adivinhe do que a mulher precisa. Isso é muito comum”, observou a psicóloga. “Muitas vezes o homem quer manter a relação, mas ele quer, também, uma relativa independência, quer um pouco de individualidade”, completou.

Outros fatores que contribuem bastante para a dissolução do casamento são a sanha por independência exagerada do homem, a criação de expectativas demais de um em relação ao outro e a frustração quando essa expectativa não é alcançada e, por incrível que pareça, até questões de higiene íntima e desleixo com a aparência física de um dos cônjuges.

Por fim, Suassuna e Alencastro Veiga lembraram do desgaste emocional e psicológico que um divórcio pode trazer aos filhos, especialmente quando, com o fim do casamento, um dos dois torna-se ausente na vida da criança. “Um pai que, por exemplo, só visita o seu filho a cada 15 dias e que fica com ele apenas uma hora, está dando migalhas à criança e a criança que recebe migalhas dos pais – ou de apenas um deles – vai crescer se contentando com migalhas”, salientaram.

A Roda de Conversa tem apoio do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), Esmeg, Associação de Terapia Familiar de Goiás (Atfago) e da Associação Brasileira de Terapia Familiar (Abratef). A próxima Roda de Conversa vai acontecer na última quinta-feira de julho, dia 27, na sede da Esmeg, no Jardim Goiás, a partir das 19h30. O tema ainda será definido.

 

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